História da Arte - Idade Antiga

Registro Rupestre / Arte Rupestre (pré-história da arte)

O ser humano tem o dom da comunicação...de qualquer jeito e em qualquer lugar ele entende e se faz entender nas mais variadas formas possíveis. O homem também se percebe enquanto ser único (cada um possui seu próprio saber a partir de suas experiências) e mortal, levando consigo toda sabedoria quando sua existência chega ao fim.

Mas... eis que uma brilhante ideia surgida, ocasionalmente ou não, favoreceu a eternidade de sua sapiência, de seus conhecimentos, de sua presença na terra: O REGISTRO.

Registrar coisas... o mundo em sua volta... as práticas... qualquer coisa que o diferencie do mundo dos bichos.
A essas práticas iniciais, ocorridas há pelo menos 50 mil anos antes do tempo presente, deu-se o nome de REGISTRO RUPESTRE ou ARTE RUPESTRE. Esse passa a ser considerado a "certidão de nascimento" da humanidade. É um dos documentos que comprovam a sua existência em tempos remotos.

Geralmente quando se fala da arte produzida pelos povos pré históricos, as pessoas tendem a pensar que as imagens quase sempre estão relacionadas à caça.  Isso aconteceu porque os primeiros registros encontrados (na caverna de Lascaux - França e Altamira - Espanha) tinha uma quantidade enorme de bisões pintados com lanças em seus corpos e também os próprios homens com as lanças na mão. Por estarem em uma caverna de difícil acesso, em que era possível apenas uma pessoa passar, estudiosos deduziram que se tratava  de um ritual sagrado. Entretanto, o exemplo tirado dessas cavernas específicas acabou virando uma hipótese generalizada.

Alguns pesquisadores (arqueólogos, historiadores, antropólogos e outros do gênero) trataram de decifrar o que significava cada coisa pintada. Criaram diversas hipóteses. Mas desse tempo, ninguém pode afirmar nada concretamente a não ser de que material foi feito: sangue de animais, clara de ovo, excrementos de animais, argila, carvão, pó de rochas, óxido de ferro, porque é possível fazer as análises químicas e provar.
Ou o tempo que foi feito partindo de datações por processos químicos - CARBONO 14 ou físicos - TERMOLUMINESCÊNCIA, entre outros.

Pausa para entender como funciona a datação por carbono 14

Voltando...
O que eu quero dizer com tudo isso? Que qualquer afirmação sobre simbologias e significados relacionados aos registros na pré-história pode ser verdadeira OU NÃO. Essa é a única certeza.

Alguns livros dizem que representam "magia propiciatória à caça" ou "rituais", ou "culto à fertilidade", representações cosmogônicas... bla, bla, bla... o fato é que até nós poderíamos atribuir um outro significado ao que foi pintado.
Então, quando lerem uma afirmação tipo: Essa pintura significa... Fuja.
Aceite as que tem as palavras: provavelmente, é possível que seja, ou no mínimo, as que dizem que representam aspectos do cotidiano dos povos pré-históricos que é menos detalhista. (Essa estratégia funciona bem para não cair em pegadinhas nos exames, vestibulares e concursos.

E se a pedra for tipo uma lousa e alguém desenhou para explicar como deve ser feito tal coisa... ou a ilustração de uma história sendo contada ao pé da fogueira... e se essa ilustração fala apenas de uma festa em que aquele animal não é uma caça e sim um bichinho domesticado? Que importa? Ninguém viveu nessa época para atestar ou contestar mesmo!

Segue slide com algumas imagens
Saudações artísticas
Carla Camuso



 
O Brasil surpreendeu com a quantidade de sítios arqueológicos encontrados e  desbancou até a teoria de que fomos povoados pelos estreito de Bering há 12 mil anos a.C. Na Serra da Capivara – (Piaui) temos registros rupestres  datando 40 a 50 mil anos antes do tempo presente. Foi por terra a teoria... Confiram umas das reportagens recentes sobre a questão:



CAVERNA DE CHAUVET - França 
(35.000 AP - 24.000 AP)

 

Arte na Antiguidade



Antiguidade é o período que se estende desde a invenção da escrita (de ap. 3000 a. C) até a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C), lembrando que essa periodização está relacionada à história da cultura ocidental e oriente próximo (civilizações que se desenvolveram no mediterrâneo incluindo a África setentrional. Posteriormente veremos a Idade Antiga da América, também conhecida como época pré-colombiana.

Entre as produções mais significativas da Idade Antiga estão a dos povos egípcios, gregos e romanos que serão vistas nos slides e explicações abaixo.


ARTE EGÍPCIA


Pois muito bem...
É óbvio que todos que tiveram aula de história conhecem ou lembram da civilização egípcia, do Nilo, da teocracia faraônica, do Quéops – dono e habitante eterno da maior pirâmide de todos os tempos (146 m), do embalsamento feito nas múmias, do nome do faraó mais famoso para nós – Tutakamon (porque para o antigo egito ele era um ilustre faraó desconhecido, governando por apenas 9 anos)...
Por isso, vou resumir em apenas dois pontos: Por quê e Para quê a ARTE era produzida:
E imediatamente responder: Para fins funerários.  Acreditem!

Na crença egípcia a coisa mais importante era a ETERNIDADE alcançada após a morte carnal.  O KA (espírito) viveria eternamente. Logo, trataram de produzir tudo para essa vida pós-morte.

O que são as pirâmides? Túmulos de faraós.
Mastabas – Túmulos de sacerdotes e nobres
Hipogeus – Subterrâneos – túmulo do resto...rsrs
E a ARTE ???? 

ESTAVA DENTRO DE TUDO ISSO AÍ.

Lá estavam as pinturas, esculturas, e uma das coisas mais importantes, textos em HIERÓGLIFOS que explicavam como chegar a vida eterna nos famosos LIVROS DOS MORTOS. Foi isso que definiu o fim da pré história. O surgimento do texto escrito em códigos. Aqui começa a história da humanidade.
Os pesquisadores, apesar de ter muito material colhido nos túmulos, não tinham ideia do que significavam aqueles códigos. Foi por meio da pedra da Rosetta encontrada por soldados franceses que invadiam o Egito no período napoleônico (1799) que finalmente conseguiram decifrar os hieróglifos. A pedra continha um decreto de Ptolomeu V, pouco importante, feito em 196 a.C. Mas havia o mesmo gravado em outras duas línguas ao lado e atrás da mesma pedra - (grego antigo e demótico) o que favoreceu ao decifrador Champollion solucionar o mistério.

LEI DA FRONTALIDADE

A Lei da Frontalidade, que perdurou por pelo menos 3 mil anos quase sem alteração, funda-se no princípio de valorizar o aspecto que mais caracteriza cada elemento do corpo humano. Os egípcios artistas, não usavam a criatividade, nem expressavam sentimentos, nem reproduziam a realidade. Apenas obedeciam REGRAS. Se algum aventurasse a fugir dessas regras, não servia mais como artista.
A Lei consistia basicamente em mostrar algumas partes do corpo humano em posições pré determinadas:
Desenhado de perfil, o rosto é mostrado ao máximo. De frente, se resume a uma forma oval. No rosto de perfil, o olho é representado de frente, por ser este seu aspecto mais característico e revelador. O tórax também apresenta-se de frente, e as pernas e os pés, são vistos de perfil.


Exemplo da lei da frontalidade
Além destas, outras regras como a cor do Faraó tinha que ser o tom ocre avermelhado mais escuro que dos outros que compunham a imagem e a figura deveria ser sempre a maior. As posições também eram pré estabelecidas. Os deuses tinham formas antropozoomórficas de acordo com a sua caracterização, as cores tinham seus significados (que ainda mantemos muito deles…) e por aí vai. 

Antes de partir para o mundo grego, não poderia deixar de falar que além das pirâmides, mastabas e hipogeus, os egípcios desenvolveram templos com o sistema trilítico: Duas colunas de pedra que seguram outra pedra em cima e assim sucessivamente. Criaram colunas com capiteis decorados em forma de flor de lótus (lotiforme) papiro (papiriforme) e palma (palmiforme) que inspiraram posteriormente as famosas colunas gregas.
As esfinges (cabeça humana representando a sabedoria e corpo de leão a força) fazem parte da estatuária que complementam os túmulos e templos para proteção contra os maus espíritos assim como obeliscos com objetivo de materializar a luz solar e proteção

Sobre a pirâmide
 

Sobre os Templos





Slide sobre arte egípcia




CURIOSIDADE sobre a adoração dos egípcios por GATOS: Vale a pena conferir
GATOS ADORADOS


Bom... Sem comentários sobre Cleópatra tá! Ela, última rainha da dinastia Ptolomeu, já sobre o domínio dos macedônios, e vencida pelo Império Romano em 30 a. C (suicidou-se com uma picada de serpente venenosa por isso). Resumindo, é de uma época mais avante. Nesse meio tempo temos a história da arte dos gregos para contar!

Sigam-me...


OS GREGOS e seu incrível domínio intelectual...


Enquanto os egípcios veneravam faraós e deuses, obedeciam felizes da vida o que lhes era imposto, o povo grego venerou as suas próprias capacidades enquanto ser pensante... ANTROPOCENTRISMO – LIBERDADE – RAZÃO.
Apesar da crença mitológica, os deuses tinham características humanas e retratavam suas virtudes e fraquezas.

Do uso da razão surgiram as mais variadas contribuições para a humanidade nos mais diversos campos: filosofia, política, jurisdição, matemática, geometria, retórica, teatro, música, esporte, a tão falada DEMOCRACIA e CIDADANIA, foram alguns dos tantos conceitos desenvolvidos pelos gregos.
Não necessariamente eles criaram tudo isso, mas conseguiram de forma muito clara, sistematizar e apresentar a população didaticamente falando.

As composições artísticas receberam um choque de realismo, após tantos anos de regras sem preocupação com a representação fidedigna e sim com o valor simbólico.
Com isso, no campo das artes, será que é possível dizer que o grego passou a observar o mundo como ele realmente é ??????

Podemos dizer que os gregos conseguiram criar regras para a busca da perfeição. Mas o que é a perfeição? Em termos técnicos a proporção correta, o equilíbrio, a simetria...
O corpo humano, foi o exemplo mais perfeito de perfeição, com o perdão da repetição.
Os heróis na guerra, eram fortes, musculosos, simétricos – exemplos da perfeição para aquele objetivo. A criação do padrão de beleza masculina surge baseado nessa realidade. As guerras diminuíram, e esse homens? Criaram as competições esportivas para garantir a sua continuidade.
Assim, até os reis queriam ser representados perfeitos, sem rugas, sem carecas, sem flacidez... por isso as estátuas eram quase iguais e nada condizentes com a realidade. Esse foi o chamado período clássico (500 a 300 a.C), retomado mil e tantos anos depois pelo Renascimento.

A proporção do corpo humano foi uma contribuição significante para o artista. Saber que tamanho fará o corpo baseado no tamanho da cabeça facilitou bastante a execução de esculturas pequenas, médias, grandes e gigantes e garantiram o melhor aproveitamento das pedras e bronze.
Dessa forma, surge mais um cânone(regra) só que dessa vez baseada em cálculos: A figura humana possui 7 cabeças e meia.

  
Sintetizando a arquitetura Grega

Uma das construções de maior destaque na Grécia foram os Templos destinado aos Deuses.
Obviamente não é um templo como conhecemos hoje em que pessoas se reúnem para orar. É como se fosse a moradia sagrada de um dos diversos Deuses do Panteão grego ao qual o templo era destinado.
Não havia espaço interno visto que a única coisa que sustentavam o teto eram as colunas, logo o Templo era constituído de colunas.
Essas colunas eram o diferencial em cada um, que denominou-se “ordens”.
 
Para um Deus masculino, forte, robusto,  a ordem era a DÓRICA , expressa por uma coluna simples, com caneluras profundas, sem base e encimada por um capitel simples. Bem básica!

Templo de Atena, do séc IV a.C.
                                 














Para Deusas, como Afrodite e Atenas, a ordem JÔNICA em que a coluna é mais fina e graciosa, tem coluna canelada e capitel com duas volutas. Por vezes uma florzinha ao meio. Bem meiga!
A ordem CORÍNTIA, por sua vez, com colunas bem caneladas e capitel profusamente decorado com folhagens (usualmente folhas de acanto), simbolizavam as virtudes humanas como coragem e superação. Foi mais difundido no período helenístico, já no final da supremacia grega. Super chique!

Detalhe do capitel Coríntio
Sobre o teatro grego

O teatro grego surgiu das cerimônias e rituais gregos como as festas Dionisíacas que eram celebrações de caráter religioso ao deus Dionísio, o deus do vinho, do entusiasmo, da fertilidade. Os deuses gregos eram muito parecidos com os homens, pois tinham vontades e humores. Uma coisa curiosa nas encenações é que só os homens podiam atuar, já que as mulheres não eram consideradas cidadãs, por isso as peças eram encenadas com grandes máscaras.
Foi na Grécia que surgiu a dramaturgia com Téspis que também representou pela primeira vez o deus Dionísio, criando o ofício de ator. Também na Grécia antiga surgiram dois gêneros do teatro a Tragédia e a Comédia... mas isso é tema de outra aula (aguardem)! Foquemos nas construções: o vídeo diz tudo.


 


Hasta la Roma!!!!
Por: Carla Camuso
 






E ROMA DOMINOU O MUNDO...
Quem não já ouviu falar da política de “PÃO e CIRCO em Roma??? Coliseu, gladiadores, imperadores loucos, promíscuos e por aí vai???
Pois esse foi o resultado do pontapé inicial de liberdade e endeusamento do próprio homem proposta pelos gregos inicialmente e absorvidas pelos romanos que trataram de adotar a filosofia hedonista... busca pelos prazeres.
Então, como vocês imaginam que tenha sido a sua produção artística?
O forte exército romano invadiu, saqueou, pilhou, transformou os homens que se defendiam das invasões em escravos, agora no sentido mais terrível da palavra, visto que esses eram confinados ao trabalho até a morte. Eram alemães, belgas, irlandeses, espanhóis, oriente médio e mediterrâneo, todos foram sucumbidos ao seu poder. 
E foram esses homens que, sob o comando dos engenheiros da época construíram a grandeza de Roma. Anfiteatros, templos, aquedutos (canais que distribuíam água para a cidade) termas (clubes de banhos termais) e basílicas(tribunais de justiça). 
Uma produção artística puramente utilitária. 

Embora o objetivo da Arte romana fosse produzir algo que preponderasse o seu caráter utilitário, dois tipos de construções eram “inúteis”, ou melhor, serviam apenas para homenagear os feitos do imperador, que não deixa de ter uma certa utilidade para nós contemporâneos pois lá estavam cravados em alto relevo a história de Roma (como eles saquearam todo o ouro do oriente médio e grande parte da produção artística de outros povos para transformá-las em prédios): Os ARCOS DE TRIUNFO e A COLUNA TRIUNFAL.
Arco de Septímio Severo 203 dC


Coluna de Trajano - 113 d.C


















A maior contribuição deixada pelos romanos está no campo da arquitetura com a utilização dos ARCOS e ABÓBADAS, ganha-se espaço interno em todas as construções. 
Ahh…com relação a produção imagética, algumas pinturas e mosaicos foram encontrados nos interiores dos termas. Afinal, o terma era voltado para o lazer, para os encontros sociais e sexuais também...

Sobre os Termas  




Bom, se não criaram esculturas, eles copiaram bastante. Se não fossem as cópias feitas pelos romanos para decorar suas praças não conheceríamos tantas esculturas gregas que foram destruídas.


Infelizmente, a destruição da produção cultural continua acontecendo... Acabei de ver uma reportagem que  informa a explosão de um templo romano, exatamente dessa época que acabamos de estudar, por militantes do estado islâmico. Por ser tombado como Patrimônio da Humanidade, a UNESCO considerou crime de guerra e tentará fazer com que esses criminosos paguem por essa estupidez. Lamentável desrespeito a nossa história. Sem palavras.

Para saber mais:
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/estado-islamico-divulga-imagens-da-destruicao-de-templo-na-siria.html

 Foto sem data divulgada no dia 25 de Agosto em uma rede social usada por militantes do Estado Islâmico mostra a fumaça decorrente da explosão do templo de Baalshaminm de 2 mil anos de idade, em Palmira (Foto: Conta do Estado Islâmico nas redes sociais via AP)



Até a próxima
Carla Camuso


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