domingo, 16 de julho de 2017

O LEGO se trasnforma em ARTE na mão de Sawaya

THE ART OF THE BRICK é o nome da exposição do artista plástico contemporâneo Nathan Sawaya que está circulando pelo Brasil desde o final do ano passado em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em junho retornou ao Rio e ficará em cartaz até 6 de agosto de 2017 no Shopping VillageMall - Barra da Tijuca.
Essa exposição itinerante tem visitado diversos países desde 2007 e por onde passa deixa o público e principalmente a crítica sem palavras diante das 83 esculturas feitas com mais de um milhão de bloquinhos de um brinquedo que todos conhecemos, o famoso "LEGO"
Isso é a contemporaneidade pulsando... A utilização de materiais que menos esperamos para produção de uma arte admirável.
De acordo com diversas notas publicadas pela imprensa, mais de 330 mil pessoas já visitaram a exposição no Brasil e o mais legal é que são obras que agradam e surpreendem pessoas de todas as idades. Não é para menos, afinal, além de serem feitas com um brinquedo, o artista faz reconstruções de outras obras famosas como "O Pensador" de Rodin, "O Grito" de Edward Munch, "O Beijo" de Klimt, além de outros temas como um Buda, ou um esqueleto de T-Rex, notas musicais e até mesmo super heróis. Tudo isso feito com os pequenos blocos que grande parte das crianças tiveram oportunidade de manipular, já que são considerados educativos e são utilizados em muitas escolas para desenvolver a motricidade e estimular a criatividade
Resumindo, mexe com o sentimento de todo o mundo e de todas as formas.
Vamos apreciar algumas obras?



 

SAUDAÇÕES  ARTÍSTICAS 🤗
Carla Camuso



Para maiores informações :

http://www.tudus.com.br/evento/ring--village-mall-village-mall--the-art-of-the-brick#

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Seu quadro foi vendido por 370 milhões de reais... Quem é esse tal de Basquiat ??

"Sem Título" Jean Michel Basquiat

É a pergunta que muitos fazem ao conferir essa notícia veiculada recentemente por diversos meios de comunicação.

Pois bem ilustres mortais, entendam de uma vez por todas que não é o belo que se vende em uma obra de arte. É a trajetória que o ARTISTA trilhou para atingir a IMORTALIDADE.

Aqui no Brasil o nome dele foi imortalizado na canção "BIENAL" de  Zeca Baleiro e Zé Ramalho em um verso um tanto quanto polêmico... mas que contempla integralmente o conceito da  Arte na contemporaneidade:


"(...) Com a graça de Deus e Basquiat, 
Nova York me espere que eu vou já
Picharei com dendê e vatapá
Uma psicodélica baiana

Esse mesmo cara que sai da condição de artista marginal (por opção) para um dos maiores representantes da geração de artistas contemporâneos, carregado de bagagem cultural, crítica social e reivindicações pela liberdade de expressão integra agora o panteão dos artistas que ultrapassam a casa dos 100 milhões de dólares por uma obra.
O quadro “sem título” de Basquiat acabou de ser vendido por US$ 110, 5 milhões(mais de 370 milhões de reais) em Nova York, no leilão de arte contemporânea  da Sotheby’s,  uma sociedade de vendas por leilão conhecida mundialmente. 

Porém, poucas pessoas  conhecem Jean Michel Basquiat, um jovem artista de rua americano, filho de imigrantes latinos (haitiano e porto-riquenha) que se tornou internacionalmente famoso por seus grafites coloridos e ao mesmo tempo agressivos, executados na década de 80 nos guetos novaiorquinos, principalmente porque teve uma breve carreira pois morreu aos 27 anos de overdose.

Usava um pseudônimo para assinar seus registros nas paredes e metrôs. E por acaso esse falso nome foi um dos motivos que chamou atenção do público intelectual:  “SAMO” uma sigla para (Same Old Shit) ou para nós, “sempre a mesma merda”. 

Essa visibilidade se deu principalmente pelo conteúdo das mensagens grafitadas. 

O jovem não emergiu do nada para o mundo artístico. Sua biografia aponta para uma educação erudita, família de classe média, falava inglês, francês e espanhol fluentemente, interessado em literatura e ópera e ao mesmo tempo quadrinhos e hip hop.  Os biógrafos dizem que sua mãe o levava desde muito cedo para visitar museus. 
Mas por opção decidiu abraçar as ruas como moradia pois o ambiente familiar era desregrado e violento.  
Chegou a vender nas ruas camisetas e cartões postais pintados por ele, até entrar no universo midiático em 1979 quando começou a participar de um programa televisivo de Manhattan que o tornou celebridade no mundo das artes.
Um artista completo... Músico (formou uma banda) e ator (chegou a participar de vídeoclips e filmes).


A crítica de arte, já envolvida com a pop art de Andy Warhol  e naturalmente ávida por divulgar os movimentos artísticos contemporâneos, impulsionou o artista que se uniu a vários outros com estilos similares, chegando inclusive a fazer exposições internacionais, dentre eles Julian Schnabel e David Salle, posteriormente conhecidos por artistas Neo-expresssionistas. 
Basquiat teve contato direto com o Andy Warhol sendo este um de seus mentores. 


Andy Warhol (à esquerda) e Jean Michael Basquiat (à direita),
fotografados em Nova York,  em 10 de julho de 1985
Foto: Michael Halsband/Landov



“(...)a escravidão e a opressão sob a supremacia branca são subtextos visíveis na obra de Basquiat " 


Com essa conotação os teóricos faziam questão de divulgar o trabalho de Basquiat. O intuito era espalhar a ideia da figura mítica de um artista negro reinando no mundo das artes dos brancos. Outro detalhe midiático de sua vida foi ter namorado a cantora Madonna. Esses e tantos outros aspectos de sua breve vida podem ser conhecidos por meio do filme: 

Traços de uma vida 

escrito e dirigido por seu amigo Julian Schnabel.  




Enfim, traços marcantes, originalidade, ousadia, porta-voz das transformações de um determinado contexto social e muita mídia envolvida é a receita básica para a obra de um artista valer ouro, enquanto houver magnata disposto a pagar. Afinal é a imagem do desenvolvimento criativo humano congelada num fragmento material.


Saudações Artísticas
Carla Camuso



Para maiores informações:

Indócil e Indizível: http://indocileindizivel.blogspot.com.br/2011/04/jean-michel-basquiat-sua-condicao-de.html

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Artistas... mães

Renee Cox - Série YO MAMA (1992-97)

Autorretrato de Élisabeth Vigée Le Brun, com sua filha Julie, 1787

Não podíamos deixar passar em branco o dia em que a sociedade reflete sobre a importância do papel materno sobre a vida das pessoas, o dia das mães. Só que ao invés de trazer as pinturas da maternidade feitas por artistas famosos, vamos lançar nosso olhar para a produção feminina...
A pouco tempo li um artigo que se intitulava: A imagem da mãe pelas artistas plásticas do século XX, escrito pela Profa Dra  Nádia da Cruz Senna.  Achei interessante a abordagem mas senti falta da imagem para associar às informações que estavam sendo passadas. E é exatamente isso que trarei aqui. As pinturas relacionadas ao artigo que inclusive é possível lê-lo clicando nesse link (download).

" A maternidade vista pela artista mulher, e na maioria das vezes, mãe também, apresenta diferenças peculiares em relação à produção masculina. Destaca-se a compreensão e o significado do tema a partir de uma experiência que é única. As transformações físicas, o parto, a amamentação e os cuidados com o bebê são vividos de forma intensa e particular. Esta consciência e envolvimento profundo entre o par “mãe e filho” se fazem presentes nas obras das artistas. A mãe é representada como o sujeito da ação, e não, como um simples objeto do olhar."
                                                                                                                                  
Nádia da Cruz Senna

Iniciemos com Elizabeth Vigée-Lebrun, uma das mais famosas pintoras francesas do século XVIII, com um estilo que transita entre o Rococó e Neoclássico.
A artista se destacou principalmente por ser convidada pela Rainha Maria Antonieta, que buscava um pintor que pudesse disfarçar alguns aspectos de sua aparência, coisa que Elizabeth conseguiu com maestria. 
Retrato de Maria Antonieta com seus filhos - Elizabeth Vigée-Lebrun, 1787
A obra que retrata a cena da rainha com seus filhos foi encomendada pela soberana para melhorar a sua reputação que não andava muito boa entre seus súditos. Apesar da dedicação da artista, não atingiu o propósito e precisou ser retirada do Salão de Arte. Não pelo descontentamento com a pintura mas pelo descontentamento político que já pairava sobre o reino.

Emmie and her Child - Mary Cassat, 1889
Mary Cassat, pintora impressionista americana mostra em suas pinturas um universo materno mais aconchegante, sendo retratadas as particularidades da relação mãe-filho: o banho, o carinho, a amamentação...

“Mãe e filho partilham um mundo próprio, em uma relação pré-simbólica, simbiótica, a parte da esfera pública ou patriarcal” 
Linda Nochlin
Mãe Rose amamentando seu filho - Mary Cassatt, 1900
A observação de Nochlin se baseia nos aspectos representados pela artista americana, especialmente quando se percebe o caráter tátil entre mãe e filho. O toque é enfatizado em inúmeras de suas pinturas que trazem a abordagem maternal.

Mãe e filho, Mary Cassatt - 1898
O Banho. Mary Cassat - 1893















Em sentido oposto seguiu Kathe Kollwitz, artista expressionista que acompanhou os horrores da Primeira Guerra Mundial na Alemanha e que inclusive foi a causadora da sua maior dor: a perda do filho alistado. Foi duramente perseguida pelos nazistas e viu de perto o percurso trágico trilhado pela Europa caminhando para a segunda guerra. Diante desse cenário, suas gravuras não poderiam ser diferentes.  Trouxe temas como a fome, doença, prostituição, gravidez indesejada e violência contra a mulher. Seus trabalhos  trazem a ideia da mãe dolorosa.
Sobreviventes, Käthe Kollwitz, gravura - 1922

Fome, Käthe Kollwitz, gravura - 1922
O sacrifício, Käthe Kollwitz, gravura - 1922


















Auto-retrato no meu sexto aniversário de
casamento,
Paula Modersohn-Becker, 1906
Ainda no estilo expressionista, mas com outro viés, Paula Modersohn-Becker foi uma das primeiras artistas a se auto representar nua e grávida, de acordo com Nádia Senna. Traz em sua obra mães geralmente nuas e seus filhos, uma ideia associada ao ciclo da vida. Cabe lembrar que a artista quando se auto retratou grávida tinha apenas o desejo de ser mãe. Veio a engravidar um ano após executar a pintura, falecendo vinte dias depois do parto.


Encostados, mãe e filho, Paula Modersohn-Becker, 1906

Para finalizar, o olhar da artista jamaicana Renee Cox que produziu uma série de fotografias intituladas Yo Mamma, entre 1992 a 1997. A artista usa seu próprio corpo nu ou vestido, para celebrar a feminilidade negra e criticar nossa sociedade racista e sexista. Seus trabalhos estão expostos no Brooklin Museum em Nova York. 
Abaixo segue algumas das fotos que integram a série: 






Dedicamos essas belas imagens a todas as mães que carregaram, carregam e carregarão o dom de dar a luz, amamentar e cuidar dos filhos do planeta Terra.

Saudações artísticas
Carla Camuso 🌺




Informações complementares extraídas em: 

www. rainhastragicas.com.  Acesso em 15 de maio de 17
www.leme.pt/biografias.  Acesso em 15 de maio de 17
https://www.brooklynmuseum.org. Acesso em 15 de maio de 17

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Projeção Mapeada (Video Mapping)

O vídeo mapping, mais conhecido para nós como "projeção mapeada" é uma linguagem artística contemporânea que nasce de dois grandes avanços tecnológicos não tão novos assim: a projeção cinematográfica e o computador. 
Esses dois elementos dão suporte para criação de artistas que projetam em superfície irregular uma sequência de imagens em 2D ou 3D baseadas no formato do local onde receberá a projeção. 
Tem sido muito utilizado em fachadas de prédios públicos, edifícios, monumentos e de acordo com o tipo de evento pode ser criado uma narrativa audiovisual.
A ideia surgiu em meados de 2007 com a experiência de uma analista de internet, Mary Meeker, quando apresentou um gráfico demonstrando essas possibilidades de projeção e rapidamente foi absorvida pelo mercado de consumo como uma técnica de publicidade. Posteriormente, os artistas se apropriaram da técnica como linguagem artística e esta se expandiu pelo mundo.
No Brasil esse tipo de projeção ganhou força a partir de 2010 em São Paulo, especialmente em eventos comemorativos no âmbito cultural. A partir daí, outras capitais como Rio de Janeiro, Brasilia, Curitiba, Recife, Natal, Salvador proporcionaram o espetáculo em grandes eventos públicos, para a apreciação da população.
Em Porto Seguro, o público geral teve a oportunidade de presenciar uma apresentação de projeção mapeada, dez anos após a sua criação. O video, com duração de pouco mais de 9 minutos foi criado especificamente para a comemoração do dia do "descobrimento" do Brasil em  22 de abril de 2017. 
"O descobrimento", título atribuído ao video, foi projetado na fachada da Igreja Nossa Senhora da Pena com uma sequência narrativa que ressalta a beleza do país antes e depois da chegada dos portugueses, além de brincar com as inúmeras possibilidades estético-visuais que o formato de criação pode trazer, com figuras geométricas, grafismos, fotografias de mapas cartográficos e explosões de formas e cores. Apreciem esse momento histórico...


Para interessados na produção da projeção mapeada, ou pelo menos no conhecimento de como funciona, disponibilizo o manual produzido por Paloma Oliveira e Mateus Knelsen: "Entre a luz e a forma" no link abaixo:

Entre a luz e a forma - um breve manual sobre projeção mapeada (download).

Saudações artísticas 

Carla Camuso




Fontes utilizadas: 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Tatoo...Quando o corpo vira suporte para obra de Arte

www.telegraph.co.uk

Exposição fotográfica de povos nativos
 Museu Capitolino em Roma.

Body art é um termo em inglês que significa arte no corpo, ou seja, quando se usa o corpo como suporte para toda e qualquer forma artística.
Apesar de ser considerado uma linguagem contemporânea, não é nada nova essa ideia. Se buscarmos registros pictóricos ou fotográficos de povos nativos, indígenas, aborígenes espalhados por toda parte do mundo, a pintura corporal estará presente. Aí está a origem seguramente.





Ilustração da carta de Pero V. de Caminha em quadrinhos
feita por Reinaldo Gonzaga
Aqui no Brasil, o primeiro registro oficial da pintura corporal foi feito na própria carta de Pero Vaz de Caminha que descrevia detalhadamente a pintura que os corpos nus dos povos indígenas litorâneos carregavam.

"Andavam com o corpo quartejado de cores, metade da sua própria cor e a outra metade de tintura negra ou vermelha, e outras, como tábua de xadrez, quadriculadas" 

(SIMÕES e GONZAGA, 2000)

Essas pinturas eram e até hoje ainda são muito mais do que uma simples composição de elementos estéticos. Elas possuem diversos significados, além de serem a identidade de cada povo. 

Porém, uma manifestação que se limitava ao universo étnico, não tinha ainda seu reconhecimento na academia, até surgirem as experimentações pós modernas. O termo body art foi adotado por uma corrente artística difundida nos Estados Unidos e Europa a partir dos anos 60, no limiar da arte contemporânea (VERGINE, 2000). Desde então, o corpo se tornou um território de experimentações artísticas: implantes, próteses e as tão conhecidas tatuagens, que no geral, trilha os caminhos da simbologia utilizada pelos povos nativos, pois as pessoas tem o costume de tatuar imagens que tenham algum significado para suas vidas.
Por outro lado, sendo o corpo mais uma possibilidade de produzir arte e o melhor, será uma obra viva que circulará por vários lugares e entre o público, obviamente o artista sairá do nível básico comercial e explorará uma construção mais complexa e original. Uma comunicação de ideias, uma possibilidade de desafiar o expectador.
E é dentro desse contexto que “farejamos” tatuagens surpreendentes, com destaque para as que brincam com a tridimensionalidade. 

Confiram:

www.yomicoart.com
https://br.pinterest.com/explore/final-fantasy-tattoo

www.collegehumor.com
blogof.francescomugnai.com

www.flickr.com

http://www.incredibilia.it
http://allstarinktattoos.blogspot.com.br/p/paul-orourke.html

http://www.incredibilia.it
imgur.com
tatooideas247.com

MARAVILHOSAS não?



Saudações artísticas
Carla Camuso



Referências utilizadas no texto:

VERGINE Lea, Body Art e storie simili: il corpo come linguaggio, Skira 2000

SIMÕES Henrique C. e GONZAGA, Reinaldo R. O Achamento do Brasil: A carta de Pero Vaz de Caminha em quadrinhos, UESC, 2000.

sábado, 4 de março de 2017

Um grito de angústia - EXPRESSIONISMO


The Scream - Sebastian Cosor - Safe-Frame.com from Sebastian Cosor on Vimeo.


Nos primeiros anos do século XX diversos artistas começaram a buscar modos mais expressivos de pintar. Ao invés de se concentrar sobre o aspecto dos objetos, queriam explorar o vasto território das emoções humanas. Começaram então a intensificar as cores e exagerar as formas para comunicar sensações fortes, especialmente as que beiram o desespero. Esse estilo se tornou conhecido como EXPRESSIONISMO.

Um grito de angústia


O Expressionismo foi influenciado pelas obras de Vincent Van Gogh, que já fugia do positivismo impressionista com suas pinceladas mais agressivas e lineares, mas sua produção acabou sendo encaixada no chamado pós impressionismo.
O artista que irá efetivamente se destacar como pintor expressionista é o norueguês Edvard Munch que teve seu trabalho focado nas tristezas da vida, doença, morte e a solidão. Dizia que queria que sua obra mostrasse "seres humanos que respiram, provam emoções, amam, sofrem "como seguramente acontecia com ele. Sua mãe e sua irmã, de fato, morreram ainda jovens de tuberculose e ele mesmo era frequentemente doente.

O vídeo acima, um grande achado dentro do mar de informações denominado internet, é um curta metragem que reflete com muita sensibilidade a obra prima de Munch O grito, cuja sonoplastia psicodélica da banda britânica Pink Floyd se encaixa fielmente à angustia que o artista quis retratar. 
O Grito é uma  das mais famosas imagens expressionistas. Munch fez várias versões dela, que vão da pintura a óleo das cores estridentes até a deprimente gravura em branco e preto. Em todas tem uma figura magra sobre uma ponte, em uma paisagem perturbante: parece segurar a cabeça por causa da dor, como se estivesse presa a um estado de angústia, e um grito estridente que ecoa infinitamente...
Em outras obras Munch aponta também sentimentos como a solidão, única companheira de viagem e a alucinação como evidência de um mundo agitado.
Com os exemplos desse grande artista, podemos perceber como o expressionismo se fortalece como um método que reflete o ser humano como protagonista absoluto, e que seus temas remetem aos grandes dilemas da condição humana: O trajeto vital para a morte.

Tudo isso sendo representado por meio de figuras deformadas, o olho quase nunca é fielmente representado, a preferência pelo trágico e sombrio, as cores fortes misturadas ou separadas, com a presença da marca do pincel na tinta quase empastada.

É a expressão pessoal como direito adquirido pelo artista para a pintura e para a arte que sai da submissão da representação da realidade e passa a abrir os caminhos para um futuro de realizações criativas, mostrando a linguagem expressiva como válida na linguagem plástica contemporânea.


Saudações expressionistas
Carla Camuso


Fontes consultadas:
Coleção Folha.  Grandes Mestres da Pintura: Edvard Munch - Biografia , 2007.
DICKINS, Rose. La Storia dell'arte occidentale - Edizioni Usborne

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Loving Vincent


Uma verdadeira obra de arte da cinematografia está para ser lançada em meados de 2017... Loving Vincent - um longa metragem que contará a vida do pintor pós impressionista Van Gogh. Mas não é somente um filme biográfico. É uma forma de fazer com que as pessoas conheçam a sua obra através de um meticuloso trabalho de animação usando a técnica de pintura a óleo, mesma técnica utilizada pelo artista ao longo de sua curta vida, ou seja, os quadros de Van Gogh ganharão vida e ajudarão nessa missão de mostrar como o artista viveu e morreu.

Não é o primeiro filme sobre o pintor holandês, claro. Um artista que tanto despertou o imaginário coletivo com sua personalidade atribulada e que criou uma linguagem pictórica tão particular e inimitável foi sempre fonte de inspiração de vários diretores cinematográficos a exemplo de:

Alain Resnais com o filme Van Gogh (1948),
Minnelli com o filme Lust for Life Vincente (1956), 
Paul Cox com o filme Vincent (1987),
Akira Kurosawa com Sonhos (1990) que se aproxima bastante da ideia contemporânea de Loving Vincent pois no filme o personagem principal entra nos quadros de Van Gogh como num sonho realmente, 
Robert Altman com Vincent & Theo lançado no mesmo ano(1990) e ainda 
Maurice Pialat  com o filme Van Gogh (1991). 

Mas o destaque dessa nova obra está exatamente na ideia do projeto da polonesa Dorota Kobiela, diretora e pintora e Hugh Welchman, produtor e codiretor do projeto, também polonês, que já foi vencedor do Oscar de curta de animação em 2008.
A proposta foi baseada nas mais de 800 cartas que Van Gogh escreveu e os relatos são narrados por personagens de suas obras. Utilizaram uma gravação prévia com atores que interpretam os personagens e depois de gravadas, cada imagem do filme recebe uma pintura a óleo seguindo o estilo das telas do pintor. 
Foram 62.450 pinturas feitas por 85 pintores, sendo essa técnica pioneira em uma animação, logo... uma obra digna de ser chamada de "prima" do cinema.
Com o trailler mostrado acima já dá para saborear um pouco do que vem por aí. Aguardaremos ansiosamente !!! 

Saudações pós impressionistas
Carla Camuso 🎬


Fontes:
http://www.artribune.com/television/2016/06/video-van-gogh-al-cinema-film-registi/
Canal Cultura UOL (para saber mais, clique no link)